Construir em vez de assinar: quase 1 em cada 3 empresas deixou de comprar software porque deu pra fazer com IA

por Dudu ·

Construir em vez de assinar: quase 1 em cada 3 empresas deixou de comprar software porque deu pra fazer com IA

Quase 1 em cada 3 empresas deixou de comprar pelo menos um software porque dava pra construir com agentes de código. O número é do State of AI 2026, da McKinsey, e chegou às manchetes como 32%. Na mesma época, o Pieter Levels, um dos criadores de produtos digitais mais conhecidos do mundo, publicou a lista de serviços que trocou por código próprio.

Este post mostra os números, o que eles medem de verdade e uma régua pra decidir o que vale construir e o que vale continuar pagando. Ele conversa com uma tese que já tratamos por aqui: serviço é o novo software.

O que a McKinsey mediu

A pesquisa reuniu 1.719 respostas em 97 países, entre maio e junho de 2026, e foi publicada em 25 de agosto.

O dado que circulou é que quase um terço das organizações deixou de comprar pelo menos um produto ou funcionalidade de software porque dava pra construir internamente com ferramentas de código agêntico. O número sobe em alguns setores: 41% em tecnologia e 39% em saúde. Entre as empresas que mais tiram resultado da IA, as que atribuem 5% ou mais do lucro operacional a ela, quase metade já tomou essa decisão, contra 31% das demais.

O que a pesquisa não mediu

A pesquisa mediu a decisão de não comprar, e essa ressalva importa antes de cancelar qualquer assinatura.

Ninguém perguntou se o substituto entrou em produção, se passou numa auditoria ou se vai estar funcionando daqui a um ano. Cancelar a assinatura ficou barato. A conta de manter o que foi construído aparece depois: atualização, segurança, correção de erro e alguém que saiba mexer quando der problema.

O caso do Pieter Levels

O Pieter Levels publicou, em 10 de setembro de 2026, a lista do que parou de pagar e do que entrou no lugar.

Alguns itens, com a economia mensal que ele mesmo informou:

  • moderação humana virou moderação com IA, cerca de 10 mil dólares;
  • suporte ao cliente virou um bot, cerca de 5 mil dólares;
  • a detecção de imagem do Google Vision virou uma ferramenta própria, cerca de 2,5 mil dólares;
  • o redimensionamento de imagens virou código próprio, cerca de 1,5 mil dólares;
  • o serviço de mapas virou uma alternativa aberta, cerca de 500 dólares.

O detalhe mais útil da lista é onde ele parou. Ele manteve 6 fornecedores: domínio, e-mail, armazenamento, backup, servidor e o provedor de IA. Numa das respostas, o Damon Chen resumiu o clima, em tradução livre: “todo mundo está fazendo isso quieto, o levelsio só faz em público”.

A régua: o que dói manter

Com agentes de código, quase tudo dá pra construir, então a pergunta que decide é “quanto dói manter?”.

Vale trocar por código próprio o que é simples, padronizado e barato de manter, como as tarefas que o Pieter Levels substituiu. Vale continuar pagando o que exige segurança, atualização constante ou conhecimento que a sua empresa não tem, que foi justamente onde ele parou.

Um exercício prático: abra a fatura de software da empresa e separe em 3 pilhas. O que é central e vale pagar, o que dá pra substituir por algo simples e o que ninguém usa mais. Se a pilha do meio tiver algo que pese no orçamento, dá pra pedir um orçamento de um sistema sob medida e comparar com o que você paga hoje, incluindo o custo de manter.


Tema dos episódios 32 e 33 do Ratos de IA, nossa curadoria semanal de inteligência artificial, publicado originalmente como reels no Instagram @ratosdeia. Fontes: a cobertura da pesquisa da McKinsey no Yahoo Finance, o post do Pieter Levels no X e a resposta do Damon Chen.

Perguntas frequentes

Quantas empresas deixaram de comprar software pra construir com IA?

Segundo o State of AI 2026, da McKinsey, quase um terço das organizações (32%, nas manchetes) deixou de comprar pelo menos um produto ou funcionalidade de software porque dava pra construir internamente com ferramentas de código agêntico. No setor de tecnologia o número chega a 41%, e na saúde, a 39%.

Vale a pena trocar uma assinatura de software por um sistema próprio?

Depende de quanto custa manter o substituto. Vale trocar o que é simples, padronizado e fácil de manter. Vale continuar pagando o que dá trabalho manter, o que exige segurança e o que não é o centro do seu negócio. A pesquisa da McKinsey mediu a decisão de não comprar, sem medir se o substituto ficou de pé depois.

O que o Pieter Levels trocou por código próprio?

Em setembro de 2026, o Pieter Levels listou serviços que deixou de pagar: moderação humana virou moderação com IA (cerca de 10 mil dólares por mês), suporte virou um bot (cerca de 5 mil), a detecção de imagem do Google virou uma ferramenta própria (cerca de 2,5 mil), entre outros. Ele manteve 6 fornecedores: domínio, e-mail, armazenamento, backup, servidor e o provedor de IA.

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