Diretriz de uso de IA: como escrever a regra da sua empresa

por Dudu ·

Diretriz de uso de IA: como escrever a regra da sua empresa

Uma diretriz de uso de IA é a regra escrita que diz como a empresa usa inteligência artificial: que ferramentas estão liberadas, que dado nunca entra nelas, quem confere o que a IA produz e como avisar quando algo foi feito com IA. Sem ela, cada pessoa decide sozinha, e o dado de cliente vai parar na conta pessoal de alguém.

Este post traz o que colocar numa diretriz e um jeito de escrevê-la que funciona: com quem vai usar, durante o próprio treinamento. Foi o que aconteceu no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. O tema conversa com ChatGPT, Claude, Copilot ou Gemini: qual IA usar na empresa.

Por que a empresa precisa de uma

O time já usa IA, com ou sem regra. A diretriz organiza o uso que já está acontecendo.

Sem regra escrita, a decisão sobre o que colar numa ferramenta fica com cada pessoa, no meio de um dia corrido. Com a regra, a dúvida tem resposta, e quem quer usar mais deixa de ter medo de estar fazendo algo errado.

O que colocar na diretriz

Uma diretriz útil cabe em poucas páginas e responde 5 perguntas:

  1. Que ferramentas estão liberadas? As que a empresa tem em contrato, com login da empresa.
  2. Que dado pode entrar? E principalmente qual nunca entra: dado pessoal, dado de cliente, dado de paciente, contrato, senha. Em geral, dado sensível só entra na ferramenta que a empresa contratou e liberou pra isso.
  3. Quem confere? A IA erra. Todo conteúdo que sai pra fora ou vira decisão passa por uma pessoa antes.
  4. Como avisar? Quando um material foi feito com ajuda de IA, quem recebe precisa saber.
  5. Quem responde por dúvidas e exceções? Uma pessoa ou um comitê, com nome.

Como a diretriz saiu do workshop no Hospital de Clínicas

No Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o workshop foi sobre IA no ensino em saúde, pra preceptores, residentes e equipe multiprofissional, nas ferramentas que o hospital tem em contrato: Gemini, Gems e NotebookLM.

workshop no Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Uma das entregas combinadas era construir junto o documento que vai orientar o uso de IA na preceptoria. Em vez de deixar isso pra depois, a dinâmica do workshop já pediu que cada pessoa mandasse as próprias ideias pra diretriz, a partir do que tinha acabado de testar na ferramenta. A turma começou a escrever a diretriz no mesmo dia, e essas ideias viraram a primeira versão do documento, que segue sendo trabalhada nas mentorias mensais.

“vocês conseguiram comprometer as pessoas. e já iniciaram o processo de desenvolvimento do documento, que eu nem esperava já no workshop”, disse a chefe do Serviço de Inovação em Ensino do hospital.

Por que escrever com quem usa

Diretriz escrita só por jurídico e TI tende a proibir tudo, e regra que proíbe tudo vira regra ignorada. Escrita com quem usa, ela responde às dúvidas reais da rotina: posso colar esse e-mail? posso usar esse resumo na aula? preciso avisar o aluno?

O caminho que funciona junta os dois lados: o time propõe a partir do uso, e jurídico, TI e liderança fecham o que vale.

Pra começar

Liste as ferramentas que a empresa já paga, escreva a regra de dado em uma frase e marque quem responde por dúvidas. O resto se completa com o uso. Nos workshops de IA pra empresas, a regra de uso faz parte do conteúdo de toda turma, e a turma pode sair com a primeira versão da diretriz escrita.

Perguntas frequentes

O que é uma diretriz de uso de IA?

É o documento que diz como a empresa usa inteligência artificial: quais ferramentas estão liberadas, que tipo de dado pode e não pode entrar nelas, quem confere o que a IA produz e como avisar quando um texto ou material foi feito com ajuda de IA.

O que não pode faltar numa política de IA da empresa?

As ferramentas liberadas, a regra de dado (principalmente dado pessoal e dado de cliente), a obrigação de conferir a resposta antes de usar, a transparência sobre o uso e quem responde por dúvidas e exceções.

Quem deve escrever a diretriz de IA?

Quem vai usar, junto com a liderança, o jurídico e o TI. Uma diretriz escrita só pelo jurídico tende a proibir demais e ser ignorada. Escrita com quem usa, ela responde às dúvidas reais da rotina.

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