Pare de cair no teatro da IA: a régua pra separar hype de uso real
por Dudu ·
O teatro da IA é a encenação de que todo mundo já transformou o trabalho com agentes, enquanto a maioria ainda resume e-mail. A Elena Verna, que cuida de crescimento no Lovable, pediu o fim desse teatro num texto de julho de 2026, e a régua que ela propõe serve pra qualquer pessoa separar hype de uso real.
Este post resume o argumento, os estragos que o teatro causa e a pergunta que ajuda a filtrar. O tema conversa com outro que já tratamos por aqui: por que quem trabalha com IA nunca trabalhou tanto.
O que a Elena Verna escreveu
O texto se chama “Please stop the AI Confidence Theater”, publicado em 2 de julho de 2026, com o subtítulo “We don’t need an extra reason to be anxious”, algo como “a gente não precisa de mais um motivo pra ficar ansioso”.
Ela abre com a sucessão de manchetes: primeiro a IA ia acabar com a educação, agora todo mundo precisa de um agente de IA. “And yet… 99% of people don’t even know what an AI agent even does”, escreve ela, ou “e mesmo assim, 99% das pessoas nem sabem o que um agente de IA faz”. E conta o teste que passou a aplicar: toda vez que alguém dizia que a IA tinha mudado a vida dela, a Elena respondia “legal, me mostra”. Na maioria das vezes, o que aparecia eram fluxos básicos, como resumir mensagens do Slack e responder e-mails.
Os 4 estragos do teatro
Segundo o texto, o teatro da IA causa pelo menos 4 problemas:
- distorce a adoção real, porque a pessoa compara a própria rotina com uma versão encenada da rotina dos outros;
- vira uma nova cultura de produtividade de fachada, em que dizer que tem 17 agentes rodando vale mais do que mostrar o que eles entregam;
- complica a contratação, porque todo mundo aprendeu a falar os termos da moda, como MCP, RAG e memória;
- gera um medo de ficar pra trás que paralisa, em vez de levar a pessoa a testar.
A régua: se tirarem amanhã, o trabalho desmorona?
A pergunta que a Elena Verna propõe pra filtrar o hype é: se tirarem essa ferramenta de você amanhã, o seu trabalho realmente desmorona?
Se a resposta é sim, a ferramenta virou parte do trabalho e merece investimento. Se a resposta é não, talvez seja só curiosidade, e tudo bem testar por curiosidade. O problema é tratar curiosidade como transformação e gastar tempo e dinheiro seguindo cada lançamento da semana.
O que fazer com isso na empresa
Na empresa, a régua vira um critério de prioridade: invista primeiro no uso de IA que já passaria no teste.
Liste o que o time usa de IA hoje e aplique a pergunta a cada item. O que já virou parte do trabalho merece processo, treinamento e regra de uso. O resto pode continuar como experimento, sem pressão. Nos nossos workshops de IA pra empresas, a mentalidade de uso, saber onde a IA entra e onde não entra, faz parte da base de toda turma, justamente pra equipe sair do teatro e entrar no uso real.
Tema do episódio 23 do Ratos de IA, nossa curadoria semanal de inteligência artificial, publicado originalmente como carrossel no Instagram @ratosdeia. Fonte: o texto da Elena Verna.
Perguntas frequentes
O que é o teatro da IA?
É o nome que a Elena Verna deu à encenação de que todo mundo já transformou o trabalho com IA e roda dezenas de agentes. Quando ela pede pra ver, o que aparece na maioria das vezes são fluxos básicos, como resumir mensagens e responder e-mails.
Como saber se uma ferramenta de IA merece atenção?
Com a pergunta que a Elena Verna usa: se tirarem essa ferramenta de você amanhã, o seu trabalho realmente desmorona? Se a resposta for não, talvez seja só curiosidade, e tudo bem. Vale a pena investir tempo no que passa nesse teste.
Por que o hype de IA atrapalha as empresas?
Porque distorce a adoção real, cria uma cultura de produtividade de fachada, complica a contratação, já que todo mundo sabe falar os termos da moda, e gera um medo de ficar pra trás que paralisa em vez de mover.