A bolha das skills: na OpenAI, 93% do time usa toda semana; na empresa típica, 3%
por Dudu ·
Dentro da OpenAI, 93% do time usa skills do ChatGPT toda semana. Na empresa típica, entre clientes da própria OpenAI, são 3%. Os números estão no relatório State of Markets II, da a16z, publicado em setembro de 2026, e mostram o tamanho da bolha em que vive quem acompanha IA todo dia.
Este post traz os números, a ressalva que vale sobre a fonte e o que eles querem dizer pra quem está levando IA pra dentro de uma empresa. O tema conversa com outro que já tratamos por aqui: o teatro da IA e a régua pra separar hype de uso real.
Os números
O dado está no slide 79 do relatório da a16z e vem de um estudo da OpenAI sobre o que as empresas mais avançadas em IA fazem diferente, publicado em agosto de 2026.
Uso semanal de recursos avançados do ChatGPT:
- skills: 93% do time da OpenAI, 19% nas 10% das empresas que mais usam IA e 3% na empresa típica;
- plugins: 95% na OpenAI, 21% nas empresas da frente e 9% na empresa típica.
Num estudo anterior, de agosto, a OpenAI já tinha mostrado que as 10% da frente usam 8,3 vezes mais IA por pessoa do que a empresa mediana, contra 2,6 vezes em janeiro. A distância está crescendo.
A ressalva sobre a fonte
O 3% é das pessoas do time de uma empresa típica, e não das empresas.
E é um recorte de clientes da OpenAI, ou seja, de quem já paga pela ferramenta. Vale lembrar também de onde vêm os números: a fonte é a própria OpenAI, e a a16z é uma das maiores investidoras em empresas de IA. Os números servem como ordem de grandeza, e não como medida exata do mercado.
A bolha fica mais clara fora do trabalho
Fora das empresas, a distância é ainda maior. A a16z também destacou que 98% dos lares nos Estados Unidos não pagam por nenhuma IA.
Num levantamento da Apollo sobre as 500 maiores empresas americanas no segundo trimestre de 2026, 74% diziam ter um plano de IA, 29% citavam algum resultado e só 2% acompanhavam uma métrica. Quem lê sobre agentes, skills e MCP toda semana está numa bolha pequena. A maioria das pessoas e das empresas ainda está no começo.
O feijão com arroz primeiro
Pra quem está levando IA pra uma empresa, a lição é começar pelo básico, e não pelo recurso mais avançado.
A distância entre a empresa típica e as mais avançadas está no uso diário, e não na ferramenta: ambas pagam pelo mesmo ChatGPT. O primeiro passo é o time usar IA com critério no trabalho de todo dia. Skills e agentes vêm depois, quando o básico já virou hábito. Vale também medir o seu número: quantas pessoas do seu time usam IA toda semana, e pra quê?
A gente passou as últimas semanas dando workshops presenciais dentro de empresas, e o retrato é parecido com o do relatório. Nos nossos workshops de IA pra empresas, a turma começa pelo uso com critério e só a turma avançada chega em skills e agentes.
Tema do episódio 36 do Ratos de IA, nossa curadoria semanal de inteligência artificial, publicado originalmente como carrossel no Instagram @ratosdeia. Fontes: o post da a16z no X, o relatório State of Markets II e o estudo da OpenAI sobre empresas e IA.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas usam recursos avançados de IA nas empresas?
Segundo dados da OpenAI citados no relatório State of Markets II, da a16z, 93% do time da própria OpenAI usa skills do ChatGPT toda semana. Nas empresas que mais usam IA, as 10% da frente, são 19%. Na empresa típica, entre clientes da OpenAI, são 3% do time.
Os 3% são de empresas que usam IA?
Não. O número se refere a 3% das pessoas do time de uma empresa típica, entre clientes da OpenAI, que usam skills toda semana. É um recorte de quem já paga pela ferramenta, e não da economia inteira.
Por onde uma empresa deve começar com IA?
Pelo básico: fazer o time usar IA com critério no trabalho de todo dia antes de partir pra recursos avançados como skills e agentes. A distância entre a empresa típica e as mais avançadas está mais no uso diário do que na ferramenta.